Sistema Digestivo

Função:

 Modificar o alimento ingerido através de processos mecânicos e químicos.

Descrição

  Sistema Digestivo

 

O sistema digestivo é composto, basicamente por um longo tubo de cerca 9 metros, o tubo digestivo, onde os alimentos ingeridos nas refeições são transformados na digestão e absorvidos. 

Boca 

A boca é o ádito desse sistema, e se estende desde os lábios até as fauces.

                                              A                                                 B

 Figura 1. Limites da boca. A: fauces; B: soalho e teto. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

Prepara o alimento por meio da mastigação e de ação da saliva, produzida por glândulas maiores e menores. A saliva contém algumas enzimas, dentre elas a amilase, que inicia a digestão dos carboidratos. As glândulas maiores são as parótidas, seguidas pelas submandibulares e sublinguais. Depois de fragmentado e misturado à saliva, a língua empurra o alimento para as fauces.

Figura 2. A: soalho da boca com abertura do ducto excretor da glândula submandibular; B: mucosa jugal com abertura do ducto excretor da parótida. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

                  

Figura 3. Glândulas salivares maiores. A: parótida; B: sublingual e submandibular. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

A língua encontra-se sobre o assoalho da boca, é formada essencialmente de músculos. Entre a língua e o assoalho bucal existe por uma prega, o freio da língua. Se este freio é muito curto, interfere na movimentação da língua e na fala.  A língua é revestida por uma mucosa especial, com projeções chamadas de papilas, que além de outras funções, permitem sentir os sabores primários: amargo, azedo ou ácido, salgado e doce e unami. O restante dos sabores são as identificadas por interações olfativas.

                     

                                   A                                         B        

  Figura 4. Língua. A: dorso, com papilas linguais; B: músculos da língua. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

O teto da boca é formado pelo palato duro e pelo palato mole sendo o último de a sua composição muscular. Sua contração, durante a deglutição protege a cavidade nasal.

                                

Figura 5. Palato mole. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

Existem 32 dentes na boca, que cortam, trituram e pulverizam o alimento. Estão ancorados por suas raízes à mandíbula e maxila, em processos ósseos denominadas processos alveolares. Entre os dentes e o osso existe um sistema articular: o ligamento periodontal. Os processos alverolares são revestidos por uma mucosa mais resitente, a mucosa mastigatória, que nesse local se denomina gengiva inserida. Os dentes apresentam 3 regiões distintas: coroa, colo e raiz e em sua cavidade central, a polpa, é preenchida por um tecido com  muitos vasos sanguíneos e nervos.

                             

                             A                                              B

Figura 6. A: dentição permanente; B: dentição decídua. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

 Faringe 

É uma via comum ao sistema digestivo e respiratório. A sua principal função na digestão é a realização de contrações musculares para movimentar o bolo alimentar em direção ao esôfago. 

Esôfago

          É um tubo muscular e relaciona-se com o estômago onde há um esfíncter anatômico, determinado pela diferença de diâmetro dos dois órgãos. Não há uma musculatura organizada em esfíncter verdadeiro, o que permite entender que o refluxo pode ocorrer, especialmente se a plenitude gástrica for excessiva e associada ao deitar, após as refeições.

                                 

Figura 7. Esôfago. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

Estômago

          Está localizado à esquerda do plano mediano e logo abaixo do diafragma. Possui quatro regiões: cárida, fundo, corpo e piloro. O fundo é a região superior, o corpo é a região maior e principal e vai afinando formando o piloro, que é a região final que se conecta com o começo do intestino delgado. Neste limite, há um esfíncter anatômico. Na parede interna encontramos as pregas gástricas, que são projeções observadas quando o estômago se encontra vazio. No estômago ocorre o processamento mecânica e digestão do bolo alimentar. A digestão mecânica ocorre em decorrência da contração de músculos da parede do estômago, amassando e misturando o alimento com o suco gástrico. A digestão química é decorrente da liberação de enzimas digestivas produzidas por glândulas do próprio estômago, que fazem a digestão de proteínas. As glândulas também produzem muco, que forma uma camada protetora, no estômago, evitando sua própria digestão. 

                                       

Figura 8. Estômago. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

          O bolo alimentar sai do estômago pelo esfíncter pilórico para o intestino delgado, e passa a chamar-se quimo.

 Intestino delgado 

         É a parte mais longa do sistema digestivo, tem cerca de 7,5 metros e nele começa a absorção dos nutrientes resultantes da digestão. Essa absorção se dá pela presença de microvilos, que são pequenas projeções das vilosidades intestinais localizadas na porção mais interior do intestino.  O intestino delgado é composto por três regiões: duodeno, jejuno e íleo. No duodeno, o primeiro segmento do intestino delgado, ocorre a liberação de enzimas produzidas pelo pâncreas e da bile, produzida no fígado, armazenada na vesícula e liberada pelo ducto colédoco. A bile contém sais que emulsificam a gordura, reduzindo-a a partículas menores, passíveis de absorção. O jejuno é a região posterior ao duodeno e, juntamente com o íleo, se encontra suspensa na cavidade abdominal por uma membrana serosa, o mesentério. Este é responsável por auxiliar no posicionamento dos órgãos digestivos, distribuição de vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos aos órgãos abdominais. O íleo constitui a parte final do intestino delgado e termina na primeira região do intestino grosso, o ceco. A conexão dessas duas regiões se dá pela valva ileocecal, determinada por pregas de tecido.

               

 Figura 9. Duodeno. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

 

                                

                                   A                                            B

Figura 10. Intestino delgado. A: jejuno e íleo; B: mucosa intestinal, apresentando pregas circulares. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed). 

          No duodeno, o primeiro segmento do intestino delgado, ocorre a liberação de enzimas produzidas pelo pâncreas e da bile, produzida no fígado, armazenada na vesícula e liberada pelo ducto colédoco. A bile contém sais que emulsificam a gordura, reduzindo-a a partículas menores, passíveis de absorção.

                   

Figura 11. A e B: fígado. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

 

                                                      

Figura 12. Ilustração da estrutura do fígado. (Adaptado de Frank Netter Atlas de Anatomia Humana 4 ed).

                                                

Figura 13. Vesícula biliar. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed).

         O jejuno é a região posterior ao duodeno e, juntamente com o íleo, se encontra suspensa na cavidade abdominal por uma membrana serosa, o mesentério. Este é responsável por auxiliar no posicionamento dos órgãos digestivos, distribuição de vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos aos órgãos abdominais. O íleo constitui a parte final do intestino delgado e termina na primeira região do intestino grosso, o ceco. A conexão dessas duas regiões se dá pela valva ileocecal, determinada por pregas de tecido.

                                    

 

Figura 14. Ceco com valva ileocecal e apêndice vermiforme. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed). 

Intestino grosso

         É o segmento final do sistema digestivo de aproximadamente 1,5 metros, começa na valva ileocecal e termina no ânus. Nele ocorre principalmente absorção de água, sódio e cloro. Com isso o intestino modela o quilo para transformá-lo em fezes, que são constituídas por componentes não digeridos, contendo também bactérias.

                             

                                     A                                              B

Figura 15. A e B: intestino grosso. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed e Frank Netter Atlas de Anatomia Humana 4 ed).

          As suas regiões principais são: ceco, colo ascendente, colo transverso, colo descendente, colo sigmóide, reto e canal anal. O ceco é a primeira porção do intestino grosso, é uma dilatação cega. Abaixo dele existe um prolongamento estreito, o apêndice vermiforme. Do ceco para cima encontra-se o colo ascendente, que determina uma curvatura para a esquerda, a flexura cólica direita, onde se inicia o colo transverso. Este por sua vez, faz uma curvatura para baixo, a flexura cólica esquerda, definindo o colo descendente e por fim a curvatura final está em forma de s, o colo sigmóide. Na face externa desses colos há apêndices epiplóicos, que são pregas de peritônio preenchidas com gordura. Já as tênias são fitas musculares de menor extensão que os colons estão dispostas em forma de ao longo do comprimento desses, determinando um pregueamento em forma de bolsas, os haustros.

        Após o colo sigmóide está longitudinalmente o reto, seguido pelo canal anal. O canal anal se revela no meio exterior pelo ânus, este caracterizado pela presença de esfíncter interno e esfíncter externo. Por fim, as fezes são eliminadas com o relaxamento desses esfíncteres.

                    

                                         A                                                 B

Figura 16. Reto e canal anal. (Adaptado de Sobotta Atlas de Anatomia Humana 21 ed e Frank Netter Atlas de Anatomia Humana 4 ed).

 

Afecções comuns no Sistema Digestivo

Úlceras Pépticas

           São feridas no estômago ou no duodeno devido à produção excessiva de suco gástrico. Pode ocorrer em pessoas emocionalmente estressadas, pessoas que fazem uso de álcool e de medicamentos como o ácido acetilsalicílico. Essas feridas podem atingir a camada muscular do estômago e os vasos sanguíneos, causando perda de sangue. Em casos mais graves pode haver a perfuração total da parede liberando o conteúdo gástrico ou duodenal para o abdome, podendo determinar a inflamação, infecção e até a morte.

          Como o sistema digestivo trabalha várias vezes por dia, em contato com substâncias de composição diversa, incluindo químicos que são deletérios são suscetíveis a um grande número de doenças e perturbações. 

 


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