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O técnico em anatomia, Valfrido Rodrigues Santos foi o inspirador do Museu de Anatomia da UFMS. Casado com Magáli Martins de Oliveira e pai de Felipe, Ítalo e Luciano de Oliveira Rodrigues. Em entrevista, ele nos conta como foi a sua trajetória de 30 anos, como técnico, e suas expectativas para a concretização do museu.

Acredita que a Anatomia o escolheu. Estava desempregado após sair de um trabalho no laboratório de Anatomia Patológica e jogava profissionalmente futebol. Em 1981, um amigo o convidou para trabalhar na UFMS como técnico em Anatomia, em uma época em que não havia concurso para o cargo.

Durante sua fase inicial de seus trabalho, revela que foi um autodidata. Seu irmão, Francisco, tinha noções de como preparar cadáveres e lhe instruiu, mas a dissecação aprendeu por conta própria. Em 1985 fez um curso de Técnicas Anatômicas, na Escola Paulista de Medicina.

No Centro de Ciências  Biológicas e da Saúde da UFMS havia somente um laboratório com sete tanques para cadáveres, um pequeno corredor para guardar as peças em caixas nas prateleiras e um pequeno almoxarifado, para armazenar os produtos químicos. A dissecação e os outros procedimentos eram realizados fora do horário de aula, pois havia quatro cursos que utilizavam o único laboratório. Mais tarde houve muitas mudanças, principalmente no espaço físico, quando esse se deslocou para seu atual endereço, na Av. Filinto Muller, atrás do Lago do Amor. Essas mudanças foram necessárias em razão do aumento dos cursos e de alunos. Houve uma melhora na condição de trabalho do técnico e oferta de mais horários de monitorias, que já não precisavam compartilhar um único laboratório.

Considera que a maior dificuldade em sua carreira foi trabalhar sozinho. As atividades eram árduas, do ponto de vista físico, principalmente o transporte das peças, em razão do peso das mesmas. Mas, relatou que a vantagem foi o aprendizado, principalmente da dissecação, e isso permitiu ampliar sua atividade profissional e qualificação. Destacou que isso proporcionou experiência e reconhecimento, exigiu que se aprimora-se em sua comunicação social, proporcionou crescimento tanto profissional como pessoal. A Universidade ampliou a sua visão de vida, e com isso estimulou a busca de aperfeiçoamento na taxidermia (montagem e reprodução de animais para estudo ou fins de exposição), que se tornou uma atividade complementar em sua vida particular.

Dentre as técnicas utilizadas que empregou no preparo das peças estão: a dissecação pura, a técnica de Giacomini, com uso de glicerina, o clareamento de ossos com peróxido de hidrogênio, a injeção e corrosão, a maceração e a insuflação de vísceras. Entre as peças prediletas que preparou está uma de face crânio, com os nervos cranianos e outras estruturas encefálicas. Há outras de musculatura da mímica,  ou de preparações de outras estruturas faciais. Confeccionou muitas peças, por solicitação,  para o Curso de Odontologia. Como os outros cursos não solicitavam muitas pecas, acabou se dedicando mais a essa região de cabeça e pescoço, que proporcionaram suas dissecações prediletas e grande parte do acervo de peças especiais que são usadas hoje, na docência de graduação. Começou, então a gostar muito disso.

Ao ser inquerido sobre o que ele teria a dizer para pessoas que se interessam por essa atividade, disse que antes de tudo, a pessoa tem que gostar do que se faz, nessa área, querer fazer, praticar e procurar oferecer sempre o melhor. Porque a sua imagem e sua vida estarão relacionadas ao resultado de seu trabalho. O trabalho exposto leva a assinatura de que o fez.

Pensando no futuro, ressalta a dificuldade de conseguir cadáveres e a necessidade de técnicas que aperfeiçoem a conservação dos mesmos. A conservação poderia ser obtida por técnicas mais sofisticadas, como a plastinação, para a qual se qualificou, na Espanha, em 2009. Mas, acredita que nada substitui a manipulação do cadáver in natura. Ressaltou as técnicas que mantém o cadáver com uma textura mais apropriada, que são mantidos em ambiente refrigerado.

Valfrido diz se sentir muito feliz com a criação do Museu, já que foi idealizado como uma forma de perenizar seu trabalho. Desde que entrou na UFMS ele próprio havia aventado a implantação de um Museu, como uma forma de criar um acervo para expor a mais pessoas as peças mais interessantes e dar acesso a um maior número de pessoas entrarem em contato com esse conhecimento. Mas, com a prática do dia-a-dia, preparos de peças para a graduação e os cuidados com a família acabava adiando o projeto. Foi com a iniciativa da Prof.ª Dr.ª Jussara Peixoto Ennes que o sonho tomou corpo e o Museu começou a ser implantado. 

Espera que o Museu se torne algo fantástico, que o acervo aumente muito, com a contribuição de novos técnicos, professores e alunos. Que seja uma experiência singular para quem o visitar. Principalmente porque se trata de um acervo que pode facilitar o entendimento do corpo humano, permitir associar com algo e se impressionar com o que ver. Acredita que essas visitas podem vir a despertar interesse nas pessoas pelos cursos nas áreas biológicas e da saúde. Sonha com coleções de peças de patologias e com uma coleção numerosa de fetos. Mesmo não sendo ele quem as produza, deseja que alguém realize essa ampliação do acervo.

E acrescentou: Espero ter dado a minha contribuição. Gostaria de, ainda em vida ver o Museu funcionando plenamente, sabendo que participei de seu início, que cultivei essa idéia. Gostaria que as pessoas se identificassem e se dedicassem ao Museu. E que seja cuidado com carinho.